sábado, 31 de dezembro de 2011

É hora de reavaliar*

Josué de Souza 

            Todo ano é sempre a mesma história, com a proximidade do natal e do final do ano. Somos bombardeados de mensagens de motivações a fim de avaliarmos e reavaliarmos nossas posturas, metas e objetivos para o próximo ano. Isto é bom, até porque, acredito que guardada as devidas proporções, planejar, reavaliar e criar novas metas faz parte da vida.
            Creio que na Bíblia há inúmeros exemplos de organização e planejamento. Um deles é  Noé que é chamado por Deus para construir a arca.  O próprio Deus lhe entrega o planejamento de como deveria ser construído a arca e quais animais que iriam habitar nela (Gn. 6:11). José para salvar os egípcios da fome, planeja e cria celeiros, organizando estoques de alimentos ao redor das cidades.
            O próprio Cristo, quando em Marcos 6:7 e Lucas 9:10 após enviar seus discípulos para a primeira experiência de evangelização destes, sem a presença do mestre, reagrupa seus discípulos para compartilharem suas experiências.
                        Sendo assim, independente da data do ano, planejar e reavaliar nossos objetivos faz parte da nossa existência.
            Quando penso nisto e chegando esta faze do ano, lembro de uma Música  que chama “A Lista” de Osvaldo Montenegro



*O texto acima foi públicado originalmente no Jornal daAssembleia de Deus em Dez. 2011. Disponivel em: http://www.ieadblu.com/materias/e-hora-de-reavaliar

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Jesus e o Natal descrito nos evangelhos




“Porque nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado e seu nome é Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz”




Edison Lucas Fabrício  
Ms. História - UFSC


         É realmente formidável como os evangelistas apresentam o nascimento de Jesus, como cada um tem uma maneira peculiar de apresentar esse acontecimento, a riqueza descritiva dos detalhes. Especialmente Mateus, Lucas e João. Mateus, escrevendo para um público judeu, mostra Jesus como o Messias esperado, o Emanuel, Deus conosco, ou seja, inserido na própria experiência humana. Com sua genealogia, Mateus ensina que Ele não é apenas filho da história dos homens, Ele é filho do próprio Deus, é o limiar de um novo tempo cheio de esperança e com Ele se inicia uma nova história. A história da liberdade, da justiça e porque não a civilização do amor, com Jesus se inicia a concretização da promessa Daquele que viria salvar seu povo de seus pecados. 
         O lugar realmente estava mergulhado no pecado, na opressão, na corrupção política e religiosa. O povo vivia sob o imperialismo romano que o oprimia com pesados impostos somando-se a isso o consenso da classe sacerdotal que em troca do status quo legitimava a atuação da falsa pax romana. Se revolvermos esse terreno veremos que o povo vivia na expectativa da vinda Daquele que foi prometido através de Isaias: o Príncipe da Paz. O príncipe da linhagem de Davi que governaria com justiça e proclamaria a liberdade. Para os poderosos (Herodes) esse menino é perigoso, é uma ameaça a ordem estabelecida, é um corpo estranho nessa estrutura pecaminosa. Por isso, é preciso matar, eliminar, extirpar para que os poderosos possam atuar em segurança.
         A terra prometida se tornou terra de opressão. Surge um novo Moisés que vem do Egito, o processo de libertação está iniciado com um novo êxodo, não apenas geográfico, mas de atitude. A libertação não é política como esperavam os compatriotas, têm implicações políticas, mas reduzir Jesus a um revolucionário político seria no mínimo uma pobreza de reflexão. Mateus o apresenta como Mestre da justiça de Deus, uma justiça que excede a dos escribas e fariseus. A palavra mestre nos sugere ainda sinônimos como educador, pedagogo. A práxis educativa acontece na dialética do discurso e da ação, Mateus didaticamente organizou seu evangelho sempre com um discurso seguido de uma pratica de Jesus, com Ele se inaugura a pedagogia da justiça. O menino frágil envolto em faixas que repousa numa manjedoura, que desde seu nascimento foi adorado por estrangeiros, nasceu com o propósito de entronizar o Reino de Deus no coração dos homens e da historia.
Lucas, por sua vez, se enquadra mais no oficio do historiador meticuloso, que procura averiguar sob uma ótica minuciosa as informações coletadas na pesquisa. No entanto, essa história não é maçante, ela é carregada de poesia, literalmente: os cânticos de Maria e de Zacarias são mostras dessa poesia. Nesse sentido, Lucas começa a pintar um quadro com as cores vivas do nascimento daquele que precede o nascimento de Jesus, João Batista, o parente que prepararia o caminho para o menino que, nas palavras de Lucas, não encontrou lugar em casa alguma para nascer. Se olharmos novamente para Mateus ele nos dirá que era impossível encontrar um lugar para Cristo naquela sociedade, logo vemos que Ele nasceu para morrer. Porém, Lucas com cores singelas continua a pintar o quadro, a paisagem retratada é de um menino numa rústica manjedoura, com pastores ao seu redor e cores resplandecentes de um coral angelical. Mas esse quadro é pobre, é o quadro do menino pobre, rodeado por pessoas pobres e marginalizadas, aqui representadas pelos pastores, que eram desprezadas e estigmatizadas por não terem condições de cumprirem as exigências da lei. Como primogênito o menino pertencia a Deus, era preciso um cordeiro para resgatá-lo, ou para os pobres um par de rolinhas. Pobre com dignidade, que nas palavras de Simeão seria a “causa da queda e da elevação de muitos em Israel, Ele será um sinal de contradição”. Esse menino é a alegria dos idosos (Simeão e Ana). Para Lucas Jesus é o Filho do Homem, por todo seu quadro pintará Jesus como o Deus-homem que carrega as dores dos homens e revela a fragilidade da condição humana.
João tem uma maneira de refletir bem diferente sobre o acontecimento, seu evangelho é mais uma meditação que uma narrativa de fatos ligados ao ministério de Jesus. João, por necessidades especificas, começa anunciando um Jesus que é Verbo, Palavra que se fez carne em Jesus: “e o verbo se fez homem e habitou entre nós”. Deus se inseriu na própria experiência humana, armou sua tenda na própria história da humanidade, ou seja, fez sua casa, sua morada entre os homens. Para descobrirmos o verdadeiro valor da pessoa humana o próprio Deus se fez homem. João continua: “Ele é a vida que é a luz dos homens. Essa luz brilha nas trevas e as trevas não conseguiram apagar-la”. A maneira como João revela Jesus é fantástica. Num primeiro momento Ele é o “Eu Sou”, e nos momentos seguintes: a luz do mundo, luz que ilumina o caminho, eu sou o próprio caminho. Luz e caminho orientam e prossegue: Eu sou a porta das ovelhas e Eu sou o bom pastor que cuida das suas ovelhas. Eu sou a verdade e a Vida, verdade que após seu conhecimento conduz a libertação em plenitude, liberdade de tudo o que oprime e impede os homens de serem felizes.

Se conseguirmos realizar esse itinerário evangélico podemos afirmar que:

Natal é o crepúsculo da velha ordem baseada na injustiça e o limiar de um novo tempo cheio de esperanças de libertação;
Natal é o menino que nasceu para entronizar o Reino de Deus no coração dos homens;
Natal é Deus fazendo sua casa na história dos homens.

domingo, 9 de outubro de 2011

A ELITE MISERÁVEL DO BRASIL

 Urariano Mota


No dia em que Lula recebeu o título de doutor honoris causa na França, o diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, Ruchard Descoings, chamou a imprensa para uma coletiva. É claro que jornalistas do Brasil não poderiam faltar, porque se tratava de um ilustre brasileiro a receber a honra, pois não? Pois sim, dê uma olhada no que escreveu Martín Granovsky, um argentino que honra a profissão, no jornal Página 12. Para dizer o mínimo, a participação de “nossos” patrícios foi de encher de vergonha. Seleciono alguns momentos do brilhante artigo de Martín, Escravistas contra Lula:
            "Para escutar Descoings foram chamados vários colegas brasileiros... Um deles perguntou se era o caso de premiar quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado. Talvez Descoings soubesse que essa declaração de Lula não consta em atas, embora seja certo que Lula não tenha um título universitário. Também é certo que quando assumiu a presidência, em primeiro de janeiro de 2003, levantou o diploma que é dado aos presidentes do Brasil e disse: ‘Uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria de presidente da República’. E chorou.
          ‘Por que premiam um presidente que tolerou a corrupção? ’, foi à pergunta seguinte. Outro colega brasileiro perguntou se era bom premiar alguém que uma vez chamou de ‘irmão’ a Muamar Khadafi. Outro, ainda, perguntou com ironia se o Honoris Causa de Lula era parte da política de ação afirmativa do Sciences Po. Descoings o observou com atenção antes de responder. ‘As elites não são apenas escolares ou sociais’, disse. ‘Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas’”.
            Houve todas essas intervenções estúpidas e deprimentes. Agora, penso que cabem duas ou três coisas para reflexão. A primeira delas é a educação de Lula. Esse homem, chamado mais de uma vez pela imprensa brasileira de apedeuta, quando o queriam chamar, de modo mais simples, de analfabeto, burro, jumento nordestino, possui uma educação que raros ou nenhum doutor possui. Se os nossos chefes de redação lessem alguma coisa além das orelhas dos livros da moda, saberiam de um pedagogo de nome Paulo Freire, que iluminou o mundo ao observar que o homem do povo é culto, até mesmo quando não sabe ler. Um escândalo, já vêem. Mas esse ainda não é o ponto. Nem vem ao caso citar Máximo Górki em Minhas Universidades, quando narrou o conhecimento que recebeu da vida mais rude.
            Fiquemos na educação de Lula, este é o ponto. Será que a miserável elite do Brasil não percebe que o ex-presidente se formou nas lutas e relações sindicais? Será que não notam a fecundação que ele recebeu de intelectuais de esquerda em seu espírito de homem combativo? Não, não sabem e nem vêem que a presidência de imenso sindicato de metalúrgicos é uma universidade política, digna dos mais estudiosos doutores. Preferem insistir que a maior liderança da democracia das Américas nunca passou num vestibular, nem, o que é pior, defendeu tese recheada de citações dos teóricos em vigor. Preferem testar essa criação brasileira como se falassem a um estudante em provas. Como nesta passagem, lembrada por Lula em discurso:  “Me lembro, como se fosse hoje, quando eu estava almoçando na Folha de São Paulo”. O diretor da Folha de São Paulo perguntou pra mim: ‘O senhor fala inglês? Como é que o senhor vai governar o Brasil se o senhor não fala inglês? ’... E eu falei pra ele: alguém já perguntou se Bill Clinton fala português? Eles achavam que o Bill Clinton não tinha obrigação de falar português!... Era eu, o subalterno, o colonizado, que tinha que falar inglês, e não Bill Clinton o português!’
            O jornalista argentino Martín Granovsky observa ao fim que um trabalhador não poderia ser presidente. Que no Brasil a Casa Grande sempre esteve reservada para os proprietários de terra e de escravos. Que dirá a ocupação do Palácio do Planalto. Lembro que diziam, na primeira campanha de Lula para a presidência, que dona Marisa estava apreensiva, porque não sabia como varrer um palácio tão grande....Imaginem agora o ex-servo, depois de sentar a bunda por duas vezes no Planalto, virar Doutor na França. O mundo vai acabar.
O povo espera que não demore vir abaixo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Abaixo os ambientalistas!


LAURO BACCA


          Esses ambientalistas, que ninguém sabe ao certo quem são, representam um atraso de vida, um atraso para Blumenau e isso não vem de hoje. Começou com a ONG pioneira Acaprena, em 1973, que propôs o órgão oficial municipal também pioneiro, a Aema (hoje Faema). Criada em fevereiro de 1977, esta já nasceu errada, pois, onde já se viu, um órgão enxuto, ágil e eficiente (à época), coisa que não combina de jeito nenhum com a administração pública no Brasil?
       Desde o início, a Aema sabia da fragilidade geológica da área Sul de Blumenau, o que desaconselhava o desmatamento e sua ocupação, coincidindo com a maioria das áreas de risco dos dias atuais. Em vista disso, por proposição do então titular do órgão, professor Alceu Longo, a região foi declarada como de preservação permanente pelo Decreto 1567, de 5/6/1980, abrangendo 1/3 do território municipal. Congelar o desenvolvimento numa área de tão expressivo tamanho? Um absurdo! Para onde Blumenau iria crescer a não ser para as encostas, se nas baixadas pega enchente? Como ficaria o mercado imobiliário, a construção civil, o comércio de materiais de construção, enfim, o “desenvolvimento”?
        Para o bem do “progresso” e alegria dos candidatos populistas, os ambientalistas tiveram mais derrotas que vitórias, surgindo daí ocupações como nas ruas Cristina, Otto Metzner e Frederico Corte e várias outras transversais da Rua José Reuter, na Velha Central, nos morros Dona Edith e Emil Wehmuth, na Velha Grande. Os ambientalistas foram acusados de tentar impedir o crescimento do Grande Garcia, pois foram contra construções e loteamentos (clandestinos) na Vila Iná, altos do Zendron, transversais da Rui Barbosa, Jordão, morro do Artur e Jerônimo Correia, entre tantas outras áreas previstas no Decreto 1567/80, assíduas frequentadoras dos noticiários de tragédias, principalmente de 2008 para cá.
Fora da abrangência do decreto existiam outras áreas de risco, entre elas o agora tristemente famoso Morro Coripós, mas até ali os ambientalistas meteram o bico ecológico já em 1983. Com laudos geotécnicos, comprovaram tratar-se de área de grande risco e imprópria para a ocupação, desde as partes mais altas até embaixo, como na Matheus Bragagnolo, rua com presença de destaque nos últimos capítulos da dramática novela das áreas de risco de Blumenau.
        Mas os ambientalistas não aprendem, não sossegam. Lutaram pela criação do Parque Nacional da Serra do Itajaí, ignorando alertas de vereadores de que o parque “forçaria milhares de pessoas a morar debaixo das pontes”. Fizeram de Blumenau um município pioneiro no controle da poluição, na Educação Ambiental e na proteção de suas florestas e mananciais de água. Agora propõem que a proteção da margem esquerda do Rio Itajaí-Açu contemple a recuperação da vegetação em forma de mata ciliar nativa. Mais atraso para Blumenau. Esses ambientalistas são incompetentes até para impedir as chuvas!

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,186,3509274,18058

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Revista Fórum - 737 donos do mundo controlam 80% do valor das empresas mundiais

Revista Fórum - 737 donos do mundo controlam 80% do valor das empresas mundiais

Um estudo publicado na Suíça revela que um pequeno grupo de sociedades financeiras ou grupos industriais domina a grande maioria do capital de dezenas de milhares de empresas no mundo.Por Ivan du Roy [26.09.2011 11h20]
Um estudo de economistas e estatísticos, publicado na Suíça neste verão, dá a conhecer as interligações entre as multinacionais mundiais. E revela que um pequeno grupo de atores econômicos – sociedades financeiras ou grupos industriais – domina a grande maioria do capital de dezenas de milhares de empresas no mundo.
O seu estudo, na fronteira da economia, da finança, das matemáticas e da estatística, é arrepiante. Três jovens investigadores do Instituto federal de tecnologia de Zurique examinaram as interações financeiras entre multinacionais do mundo inteiro. O seu trabalho - “The network of global corporate control” (“a rede de controle global das transnacionais”) - examina um painel de 43 mil empresas transnacionais (“transnacional corporations”) selecionadas na lista da OCDE. Eles dão a conhecer as interligações financeiras complexas entre estas “entidades” econômicas: parte do capital detido, inclusive nas filiais ou nas holdings, participação cruzada, participação indirecta no capital...
Resultado: 80% do valor do conjunto das 43 mil multinacionais estudadas é controlado por 737 “entidades”: bancos, companhias de seguros ou grandes grupos industriais. O monopólio da posse capital não fica por aí. “Por uma rede complexa de participações”, 147 multinacionais, controlando-se entre si, possuem 40% do valor econômico e financeiro de todas as multinacionais do mundo inteiro.
Uma super entidade de 50 grandes detentores de capitais
Por fim, neste grupo de 147 multinacionais, 50 grandes detentores de capital formam o que os autores chamam uma “super entidade”. Nela encontram-se principalmente bancos: o britânico Barclays à cabeça, assim como as “stars” de Wall Street (JP Morgan, Merrill Lynch, Goldman Sachs, Morgan Stanley...). Mas também seguradoras e grupos bancários franceses: Axa, Natixis, Société générale, o grupo Banque populaire-Caisse d'épargne ou BNP-Paribas. Os principais clientes dos hedge funds e outras carteiras de investimentos geridos por estas instituições são por conseguinte, mecanicamente, os donos do mundo.
Esta concentração levanta questões sérias. Para os autores, “uma rede financeira densamente ligada torna-se muito sensível ao risco sistêmico”. Alguns recuam perante esta “super entidade”, e é o mundo que treme, como o provou a crise do subprime. Por outro lado, os autores levantam o problema das graves consequências decorrentes de tal concentração. Que um punhado de fundos de investimento e de detentores de capital, situados no coração destas interligações, decidam, por via das assembleias gerais de acionistas ou pela sua presença nos conselhos de administração, impor reestruturações nas empresas que eles controlam... e os efeitos poderão ser devastadores. Por fim, que influência poderão exercer sobre os Estados e as políticas públicas se adotarem uma estratégia comum? A resposta encontra-se provavelmente nos actuais planos de austeridade.

Marcelo Yuka comanda show ostentando bandeira do MST | MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra

Marcelo Yuka comanda show ostentando bandeira do MST MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra

domingo, 14 de agosto de 2011

Desculpas que não colam

Diante de declarações e entendimentos que parecem querer preparar um clima de conformismo ou de aceitação de uma solução que não atende ao Projeto FURB FEDERAL, precisamos enxergar com clareza por que se trata de desculpas que não colam.


Desculpa 1:
"Conseguir uma federal em Blumenau é muito bom, mesmo que não inclua a FURB"

Não cola porque criar um campus da UFSC ou uma universidade que não inclua a FURB não é bom.
Algumas das razões:

1.       É um dispêndio a toa de recursos públicos (a FURB pode oferecer já 20.000 vagas sem investimento, e com um orçamento anual de 150 milhões, enquanto que, por exemplo, a nova Universidade Federal de Fronteira Sul precisa um orçamento de 200 milhões e tem apenas 3500 alunos). Isto é tão evidente que até o Reitor da UFSC se nega a aceitar criar um campus da UFSC em Blumenau.
2.       Uma vez que outro Campus da UFSC afetará fortemente a FURB, acabará diminuindo as atividades de Ensino Superior, Pesquisa e Extensão. Isto porque a FURB terá imensas dificuldades em manter seu status de Universidade (com pesquisa, extensão, mestrados e doutorados), enquanto que o campus da UFSC irá com muita parcimônia buscando um terreno, construindo uma sala, abrindo um curso, contratando um professor. Nesse processo, teremos uma universidade pronta minguando, uma universidade nova sendo edificada e a população apenas esperando.

Desculpa 2:
"Federalizar a FURB pode criar um precedente perigoso"

Não cola porque não cria precedente, e se criasse não seria um precedente ruim.
Algumas das razões:

1.       Uma das razões mais fortes para federalizar a FURB é o fato de que ela já é uma universidade pública. Ela funciona como instituição pública não apenas nos objetivos que atende, mas na sua forma jurídica e processos internos. A FURB faz concursos públicos, compra por licitação, tem colegiados de universidade pública, etc. Só não tem financiamento público. O caso da FURB é único, portanto não é o boi que abre o buraco pelo qual passa uma boiada.
2.       Caso alguém insista em dizer que a FURB abre um precedente, este seria um precedente fantástico para o Brasil. É um precedente de uma comunidade regional que sem financiamento governamental criou uma instituição pública e a entregou ao Estado uma vez pronta, madura, prestando serviços e administrando com eficiência recursos que vem do privado e se tornam públicos sem que o Estado tenha que cobrar impostos para isso. Esse é sim um precedente que o Estado gostaria de ver pipocar.
3.       Há outro precedente, é verdade. O povo na rua lutando por educação pública e de qualidade com pesquisa e extensão, ou seja, por uma instituição dedicada a servir às pessoas da Região, do Estado e do Brasil. Realmente, esse é um precedente que para alguns é perigoso.

Luciano Félix Florit
Doutor em Sociologia
Professor Departamento de Ciências Sociais e Filosofia da FURB
Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Nota do Sinsepes sobre últimas notícias do FURB Federal




Marcia Lucy .


Tendo em vista os últimos acontecimentos a respeito da possibilidade de federalização da Furb, o Sinsepes, como entidade representativa dos trabalhadores (professores e técnico-administrativos), esclarece:

1-     Na próxima terça-feira (16/08) ocorrerá o anúncio da expansão do sistema federal de educação superior, incluindo a instalação de Universidades Federais, tendo Blumenau possibilidades concretas de ser uma das cidades contempladas;

2-     O Sinsepes, membro ativo do Comitê Pró Federalização da Furb, saúda a expansão do sistema federal como imperativo para o desenvolvimento do país e da cidadania. Ademais, defende a necessidade regional de implantação de uma universidade federal no Vale do Itajaí;


3-     O reconhecimento da legitimidade desta reivindicação do Vale pelo Governo Federal, representa importante conquista do movimento Furb Federal e é fruto do acúmulo do trabalho, realizado pelo Comitê Pró Federalização e seus membros, há quase uma década.

4-     Considerando o caráter público e a trajetória histórica de consolidação deste caráter pela Furb; os estudos técnicos (em fase de conclusão) que amparam a eficiência administrativa e financeira, além da legalidade de transferência e cedência de estudantes, patrimônio e corpo funcional; e a viabilidade de disponibilização imediata de milhares de vagas, entendemos que implantar uma Universidade Federal em Blumenau, incluindo a federalização da Furb, é o melhor para a região e para o Brasil;


5-     Reafirmamos nosso compromisso com os trabalhadores da Furb, defendendo sempre sua inclusão e respeito de seus direitos, em qualquer proposta apresentada ou processo corrente;

6-     Estamos atentos aos acontecimentos, lembrando que até o momento não há confirmação oficial quanto ao caráter da inclusão de Blumenau no anúncio do dia 16. Portanto, permanecemos vigilantes e qualquer ato tomado pelo Sindicato é objeto de análise e cautela, sendo baseado em acontecimentos concretos, jamais nas especulações. Quaisquer novidades confirmadas serão objeto de comunicação aos trabalhadores;


7-     Independente do caráter do anúncio, ressaltamos que nossa luta se intensifica. A possível criação de uma Universidade Federal no Vale é uma imensa conquista, porém implica em demonstração ainda mais forte da importância e relevância da inclusão da Furb, neste caso, já considerando a implantação do Campus. Portanto, reafirmemos nossa disposição e continuemos na luta;

 8- Por fim, convocamos os servidores para ato em defesa da federalização da Furb, cuja concentração será defronte à Biblioteca Central, no Campus I, sexta-feira 12/08, às 18h30.

 Diretoria do Sinsepes

Informe Comitê Pró-Federalização da FURB


 
O Comitê Pró-Federalização da FURB saúda a notícia sobre a continuidade do plano de expansão da rede federal de Ensino Superior, através da inclusão do Vale do Itajaí. Esta decisão significa o reconhecimento, tanto da necessidade da criação de uma Universidade Federal na região, quanto do mérito da nossa luta. Trata-se de um grande passo para a consolidação do projeto FURB FEDERAL.
No plebiscito realizado em maio de 2008, a comunidade regional reconheceu, de forma inequívoca, a importância da proposta e conferiu seu apoio à instalação de uma Universidade Federal, a partir da histórica construção do ensino público na região – a FURB –, agora com a transferência de seus estudantes, do seu patrimônio e a cessão temporária dos seus servidores à União.
Para dar conta deste desafio foram realizados três estudos técnicos:

1) Diretrizes institucionais - este estudo foi realizado com a participação de uma equipe do Comitê, da FURB e do INPEAU/UFSC, propondo o modelo de incorporação da FURB à nova Universidade Federal;

2) Levantamento dos custos orçamentário-financeiros - este estudo foi realizado pelo Prof. Dr. Nelson Amaral, ex-reitor da Universidade Federal de Goiás, apontando ao governo federal as vantagens do nosso projeto;

3) Parecer jurídico - este estudo contempla a viabilidade constitucional da proposta FURB Federal.

Ademais, por iniciativa do Comitê Pró-Federalização, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei (PL 7.287/2010) que autoriza a criação de uma universidade federal com base na incorporação da FURB.
Considerando a importância da participação da sociedade regional na definição do modelo institucional da nova Universidade, o Comitê Pró-Federalização da FURB reitera o compromisso da cidadania do Vale do Itajaí com o projeto FURB FEDERAL, firmado no plebiscito que preside o mandato do Comitê.
 
Neste sentido, convidamos todos os cidadãos à manifestação que se realizará nesta sexta-feira, dia 12 de agosto, a partir das 18h30min, com concentração no largo da Biblioteca Universitária, no Campus I.

Cordialmente,
Comitê Pró-Federalização da FURB
Fundação Universidade Regional de Blumenau
Rua Antônio da Veiga, 140. Campus I, Sala C-200.
89012-900 Blumenau SC
Fone: (47) 3321-0940
Correio-e: furbfederal@furb.br

Veja quem são os jovens que protestam na Inglaterra com o sociólogo Silv...


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Contribuição da América Latina para uma geosociedade

Leonardo Boff
Teólogo/Filósofo

 


Por todas as partes no mundo cresce a resistência ao sistema de dominação do capital globalizado pelas grandes corporações multilaterais  sobre as nações, as pessoas concretas e sobre a natureza. Está surgindo, bem ou mal,  um design ecologicamente orientado por práticas e projetos que já ensaiam o novo. A base é sempre a economia solidária, o respeito aos ciclos da natureza, a sinergia com a Mãe Terra, a economia a serviço da vida e não do lucro e uma política sustentada pela hospitalidade, pela tolerância, pela colaboração e pela solidariedade entre os mais diferentes povos, demovendo destarte as bases para o fundamentalismo religioso e político e do terrorismo que assistimos nos EUA e agora na Noruega.
Entre muitos projetos existentes na América Latina como a economia solidária, a agricultura orgânica familiar, as energias  alternativas limpas, a Via Campesina, o Movimento Zapatista e outros queremos destacar dois pela relevância universal que representam: o primeiro é o “Bem Viver” e o segundo a “Democracia Comunitária e da Terra”, como expressão de um novo tipo de socialismo.
O “Bem Viver” está presente ao longo de todo o continente Abya Yala (nome indígena para o Continente sulamericano), do extremo norte até o extremo sul, sob muitos nomes dos quais dois são as mais conhecidos: suma qamaña (da cultura aymara) e suma kawsay(da cultura quéchua). Ambas significam: “o processo de vida em plenitude”. Esta resulta da vida pessoal e social em harmonia e equilibrio material e espiritual. Primeiramente é um saber viver e em seguida um saber conviver: com os outros, com a comunidade, com a Divindade, com a Mãe Terra, com suas energias presentes nas montanhas, nas águas, nas florestas, no sol, na lua, no  fogo e em cada ser. Procura-se uma economia não da acumulação de riqueza mas da produção do suficiente e do decente para todos, respeitando os ciclos da Pacha Mama e as necessidades das gerações futuras.     
Esse “Bem Viver” não tem nada a ver com o nosso “Viver Melhor” ou “Qualidade de Vida”. O nosso Viver Melhor supõe acumular meios materiais, para poder consumir mais dentro da dinâmica de um progresso ilimitado cujo motor é a competição e a relação meramente de uso da natureza, sem respeitar seu valor intrínseco e sem se reconhecer parte dela.  Para que alguns possam viver melhor, milhões têm que viver mal.
O “Bem Viver” não se identifica simplesmente com o nosso “Bem Comum”, pensado  somente em função dos seres humanos em sociedade, num antropo-e-sociocentrismo inconsciente. O “Bem Viver” abarca tudo o que existe, a natureza com seus diferentes seres, todos os humanos, a busca do equilíbrio entre todos também com os espíritos, com os sábios (avôs e avós falecidos), com Deus, para que todos possam conviver harmonicamente. Não se pode pensar o “Bem Viver” sem a comunidade, a mais ampliada possível, humana, natural, terrenal e cósmica. A “minga” que é o trabalho comunitário, expressa bem este espírito de cooperação.
Essa categoria do “Bem Viver” e do “Viver Bem” entrou nas constituições do Equador e da Bolívia. A grande tarefa do Estado é poder criar as condições deste “Bem Viver” para todos os seres e não só para os humanos.Esta perspectiva, nascida na periferia do mundo, com toda sua carga utópica, se dirige a todos, pois  é uma tentativa de resposta à crise atual. Ela poderá garantir o futuro da vida, da humanidade e da Terra.
A outra contribuição latinoamericana para um outro mundo possível é a “Democracia Comunitária e da Terra”. Trata-se de um tipo de vida social, existente nas culturas da Abya Yala, reprimida pela colonização mas que agora, com o movimento indígena resgatando sua identidade, está atraindo o olhar dos analistas. É uma forma de participação que vai além da democracia clássica representativa e participativa, de cunho europeu. Ela as inclui, mas aporta um elemento novo: a comunidade como um todo; esta participa na elaboração dos projetos, de sua discussão, da construção do consenso e de sua implementação. Ela pressupõe já uma vida comunitária estabelecida na população.
Ela se distingue do outro tipo de democracia por incluir toda a comunidade, a natureza e a Mãe Terra. Reconhecem-se os direitos da natureza, dos animais, das florestas, das águas, como aparece nas constitições novas do Equador e da Bolívia. Faz-se uma ampliação da personalidade jurídica aos demais seres, especialmente à Mãe Terra. Pelo fato de serem  vivos, possuem um valor intrínseco e são portadores de dignidade e direitos e por isso são merecedores de respeito.
A democracia será então sócio-terrenal-planetária, a democracia da Terra. Há os que dizem: tudo isso é utopia. E de fato é. Mas uma utopia necessária. Quando tivermos superado a crise da Terra (se a superarmos) o caminho da Humanidade seria este: globalmente nos organizarmos ao redor do “Bem Viver” e de uma “Democracia da Terra”, da “Biocivilização”(Sachs). Já existem sinais antecipadores deste futuro.

O presente texto  foi repassado pela Escritora e amiga

terça-feira, 26 de julho de 2011

Aumento no número de unidades de assistência social contribui na erradicação do trabalho infantil




do Portal Pró-Menino


O censo do Sistema Único de Assistência Social (Suas) referente ao ano de 2010, divulgado pelo governo na última quinta-feira, dia 21 de julho, mostrou que houve crescimento no número de unidades de assistência social - Cras e Creas - no país.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), tais unidades servem como suporte ao Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil (Peti) e, por isso, seu aumento contribui com a erradicação dessa prática. “A partir dessas unidades, é possível constatar as formas existentes de trabalho infantil em cada município e atuar tanto no combate como na prevenção. As unidades são capazes de oferecer todo o suporte às famílias para que não utilizem a prática como forma de sobrevivência”,  afirma a Secretaria Nacional de Assistência Social do MDS, Juliana Petroceli.
Uma das formas utilizadas pelo Peti para garantir a sobrevivência das famílias é sua integração com o Programa Bolsa-Família, iniciada em 2006.  As famílias atendidas participam de atividades socioeducativas e de convivência promovidas pelo Peti e, além disso, também cumprem as condições do Bolsa-Família, referentes à saúde e educação, como a melhoria na frequência e no desempenho da criança na escola.
O número de Centros de Referência de Assistência Social (Cras), que previnem situações de vulnerabilidade e risco e fazem encaminhamentos para outros serviços da rede,  aumentou para 6.801 em 2010. Em 2007, esse número era de 4.195. Os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), que respondem pela proteção social de média complexidade, tiveram aumento de 32% entre 2009 e 2010. Passaram de 1,2 mil unidades em 1.099 municípios, em 2009, para 1.590 Creas em 1.463 municípios até agosto de 2010.

A prática do clientelismo






 
Josué de Souza

            O clientelismo político é uma dessas palavras que ouvimos com uma enorme freqüência nas conversas, nos debates sobre política, no dia a dia, e que apesar de ser um verdadeiro câncer na história política brasileira, todos nós já presenciamos.
            O Cientista Político Norberto Bobbio, define simplificadamente este fenômeno como: “mecanismos de controle político baseados na troca de favores e barganhas entre sujeitos desiguais e que miram a conquista da cooptação na relação social e política”.  Na prática, isso se dá através de subvenções, favores políticos, distribuições de cargos públicos, distribuição de cestas básicas ou de favorecimento de acesso a serviços públicos que por lei já é universalizado a todos.
            A prática do clientelismo está relacionada ao poder e ao mandonismo de oligarquias e de elites políticas que tratam o público como se fosse privado e que historicamente apropiam-se dos recursos do estado brasileiro e o mantém ineficinente, aumentando e mantendo cada dia mais as mazelas sociais a fim de eleger-se e reeleger-se em trocas de favores.
            A consequencia desta prática corrupta e criminosa, usando os recursos públicos de forma privada é a manutenção da miséria e da exclusão, a nossa cidadania incompleta, a dificuldade de democratização da sociedade e a manutenção de poder por aqueles que não possuem a legitimidade política.
            O que se precisa perceber é que favores políticos não são construídos de forma igualitária e que os recursos distribuídos por estes indivíduos são pagos por toda a sociedade. Se pretendermos ter um Brasil justo, desenvolvido, autônomo e democrático faz-se necessário combater estes parasitas políticos.
           

domingo, 17 de julho de 2011

Os inimigos da Educação


Estes são os deputados estaduais de Santa Catarina que votaram a favor do PLC (projeto de lei complementar) 026/2011, que acabou com o plano de carreira dos professores, construído em mais de 30 anos de lutas. Este PLC nos retira conquistas e benefícios históricos, diminui os salários de grande parcela da categoria e achata nossa tabela salarial (Professor doutor ganhando praticamente o mesmo que professor com curso de magistério, ou seja, apenas Ensino Médio).
Portanto, se você já votou em um deles, não cometa o mesmo erro novamente.

Ajude na campanha contra OS INIMIGOS DA EDUCAÇÃO.

Não se esqueça destes nomes e partidos:
PMDB Aldo Schneider aldoschneider@alesc.sc.gov.br
PMDB 
Antônio Aguiar antonioaguiar@alesc.sc.gov.br
PMDB 
Carlos Chiodini carloschiodini@alesc.sc.gov.br
DEM 
Ciro Roza ciroroza@alesc.sc.gov.br
PSDB 
Dado Cherem dadocherem@alesc.sc.gov.br
DEM 
Darci de Matos darcidematos@alesc.sc.gov.br
PSDB 
Dóia Guglielmi doiaguglielmi@alesc.sc.gov.br
PMDB 
Edison Andrino edisonandrino@alesc.sc.gov.br
PMDB 
Elizeu Mattos elizeumattos@alesc.sc.gov.br
DEM 
Gelson Merisio merisio@alesc.sc.gov.br
PSDB 
Gilmar Knaesel knaesel@alesc.sc.gov.br
DEM 
Jean Kuhlmann jean@deputadojean.com.br
PP 
Joares Ponticelli joares@alesc.sc.gov.br
DEM 
Jorge Teixeira jorgeteixeira@alesc.sc.gov.br
PP 
José Milton Scheffer josemilton@alesc.sc.gov.br
DEM 
José Nei Ascari joseneiascari@alesc.sc.gov.br
PP 
Kennedy Nunes deputado@knunes.com.br
PMDB 
Manoel Mota mota@alesc.sc.gov.br
PSDB 
Marcos Vieira marcosvieira@alesc.sc.gov.br
PSDB 
Mauricio Eskudlark eskudlark@alesc.sc.gov.br
PMDB 
Mauro de Nadal maurodenadal@alesc.sc.gov.br
PMDB 
Moacir Sopelsa moacir@alesc.sc.gov.br
PTB 
Narcizo Parisotto parisotto@alesc.sc.gov.br
PSDB 
Nilson Gonçalves nilson@alesc.sc.gov.br
PP 
Reno Caramori reno@alesc.sc.gov.br
PMDB 
Romildo Titon titon@alesc.sc.gov.br
PP 
Silvio Dreveck silviodreveck@alesc.sc.gov.br
PP 
Valmir Comin comin@alesc.sc.gov.br








sábado, 16 de julho de 2011

Furb Federal no caminho certo

 
             Representantes do GT da FURB e do Comitê Pró-Federalização estão voltando, neste exato momento, ainda mais otimistas com apoios que receberam em Florianópolis.
            Professor Clóvis Reis, coordenador do comitê e integrante do GT Institucional, informou que o grupo fez importante intervenção durante a audiência aberta do Plano Nacional de Educacão, hoje pela manhã, no Tribunal de Justiça, explicando a história do movimento que envolve todo Vale do Itajaí há dez anos, a construção dos documentos que serão entregues no MEC e a tramitação na Câmara Federal.
            Mais que isso, os professores Clóvis, Giceli Cervi, Adriana Correa, Jorge Barbosa e o jornalista Leo Laps conversaram com o secretário-executivo do Ministério da Educação, Francisco das Chagas Fernandes. Bastante receptivo, Fernandes disse que conhece o projeto de criação da Universidade Federal do Vale do Itajaí, que incorpora a FURB, e que tramita na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, após passar pelo Senado.
"Não apenas conhece o projeto como demonstrou receptividade e otimismo diante da possibilidade de êxito da reivindicação", afirmou Reis, que explicou a consistência do projeto de viabilidade que será entregue, em breve, ao MEC, com apoio do INPEAU/UFSC.
            Também no evento, os deputados federais Pedro Uczai e Esperidião Amin e o estadual Volnei Morastoni explicitaram amplo apoio público à criação da UFVI e federalização da FURB. Uczai, inclusive, disse que virá a Blumenau discutir a operacionalização desse apoio, após retornar de viagem a China.
Além disso, a própria presidente da Comissão de Educação, deputada federal Maria Fátima Bezerra, responsável pelo encontro, manifestou interesse em realizar audiência pública no Vale para debater a criação da federal do Vale do Itajaí.

Texto do jornalista Michel Imme Sabbagh  publicado no site FURB NA MÍDIA (http://furbnamidia.blogspot.com/).

Avante professores, de pé!

Por Elaine Tavares – jornalista

         A cena apareceu, épica. Uma mulher, já de certa idade, rosto vincado, roupas simples, acocorada num cando da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Chorava. As lágrimas correndo soltas pela cara vermelha e inchada. Num átimo, a câmera captou seu olhar. Era de uma tristeza profunda, infinita, um desespero, uma desesperança, um vazio. Ali, na casa do povo, a professora compreendia que o que menos vale é a vontade das gentes. Acabava de passar no legislativo estadual o projeto do governador Raimundo Colombo, que vai contra todas as propostas defendidas pelos trabalhadores ao longo de dois meses de uma greve fortíssima. Um ato de força. A deputada Angela Albino chorava junto com os professores, os demais sete deputados que votaram contra – a favor dos trabalhadores  - estavam consternados e, até certo ponto envergonhados por seus colegas. Mas, esses, os demais, os 28 que votaram com o governo, não se escondiam. Sob os holofotes das câmeras davam entrevistas, caras lavadas, dizendo que haviam feito o que era certo. Puro cinismo.
            Na verdade o que aconteceu na Assembléia Legislativa foi o que sempre acontece quando a truculência do poder se faz soberana. Atropelando todos os ritos da democracia, o projeto do governador sequer passou por comissões, foi direto à plenário. Foi um massacre. Porque é assim que é o legislativo nos países capitalistas, ditos “países livres e democráticos“. Os que lá estão não representam o povo, representam interesses de pequenos grupos, muito poderosos. São eleitos com o dinheiro destes grupos. Aquela multidão que esperava ali fora – mais de três mil professores – não era nada para os 28 deputados bem vestidos que ganham mais de 20 mil por mês. Valor bem acima do que o piso que os professores tantos lutam para ter, 1.800 reais. E estes senhores tampouco estão se lixando para os professores estaduais porque certamente educam seus filhos em escolas particulares. Vitória, bradavam.
            Mas os nobres parlamentares não ficaram contentes com isso. Ao verem os professores querendo se expressar, mandaram chamar a polícia de choque. E lá vieram os homens de preto com suas máscaras de gás, escudos e armas. Carga pesada para confrontar aqueles que educam seus filhos. Triste cena de trabalhador contra trabalhador, enquanto os representantes da elite se reflestelavam no ar condicionado. Por isso o olhar de desepero da professora, lá no canto, acocorada, quase perdida de si mesma.
            Ao vê-la assim, tão fragilizada na dor, assomou de imediato em mim a lembrança da primeira professora, a mulher que mudou a minha vida. Foi ela quem me levou para a escola e abriu diante de mim o maravilhoso mundo do saber. Seu nome era Maria Helena. Naqueles dias de um longínquo 1965, ela era uma garota linda que morava do lado da nossa casa em São Borja (RS). Normalista das boas, ela não ensinava nas escolas privadas da cidade. Seu projeto de vida se constituiu ensinando nas escolas da periferia, com as crianças mais empobrecidas.
            Por morar ao lado da minha casa ela percebeu que eu, aos cinco anos de idade, já sabia ler e escrever. Então, insistiu com minha mãe para que eu fosse para a escola, porque ela acreditava firmemente que ali, naquele ambiente, era onde se formavam as cabeças pensantes, onde se descortinava o mundo. Imagino que ela fosse até meio freiriana (adepta de Paulo Freire), por conta do seu modo de ensinar. Minha mãe relutou um pouco. A escola ficava longe, no bairro do Passo, e eu era tão pequena. Mas Maria Helena insistiu e venceu a batalha.
            Assim, todas as tardes, mesmo nos mais aterradores dias do inverno gaucho eu saia de casa, de mãos dadas com a minha professora Maria Helena e íamos pegar o ônibus para o Passo. Numa cidade pequena como São Borja, só os bem pobres andavam de ônibus e assim também já fui tomando contato com o povo trabalhador que ia fazer sua lida no bairro de maior efervescência na cidade. O Passo era onde estava a beira do rio Uruguai, onde ficava a balsa para a travessia para a Argentina, os armazéns que vendiam toda a sorte de produtos, as prostitutas, os mendigos, os pescadores, os garotos sem famílias, as lavadeiras, enfim, uma multidão, entre trabalhadores e desvalidos. O Passo era um universo popular.
            Maria Helena não me ensinou só a escrever, ela me ensinou a ler o mundo, observando a realidade empobrecida do bairro, a luta cotidiana dos trabalhadores, as dificuldades do povo mais simples. E mais, mostrou que ser professora era coisa muito maior do que estar ali a traçar letrinhas. Era compromisso, dedicação, fortaleza, luta. Conhecia cada aluno pelo nome e se algum faltava ela ia até sua casa saber o que acontecia. Sabia dos seus sonhos, dos seus medos e nunca faltava um sorriso, um afago, o aperto forte de mão. Com essa mulher aprendi tanto sobre a vida, sobre as contradições de um sistema que massacra alguns para que poucos tenham riquezas. E aqueles caminhos de ônibus até o Passo me fizeram a mulher que sou.
            É esse direito que eu queria que cada criança pudesse ter: a possibilidade de passar por uma professora ou um professor que seja mais do que um “funcionário“, mas uma criatura comprometida, guerreira, capaz de ensinar muito mais do que o be-a-bá. Um criatura bem paga, respeitada, amada e fundamental.
            Mas os tempos mudaram, os professores são mal pagos, desrespeitados, vilipendiados, impedidos de conhecer seus alunos, obrigados a atuar em duas ou três escolas para manterem suas próprias famílias. Não podem comprar livros, nem ir ao cinema ou ao teatro. São peças do sistema que oprime e espreme.
            Os professores de 2011, em Santa Catarina, são acossados pela tropa de choque, porque simplesmente querem o direito de ver respeitada a lei. O governador que não a cumpre descansa no palácio, protegido. Mas aqueles homens e mulheres valentes, que decidiram lutar pelo que lhes é direito, enfrentaram os escudos da PM, o descaso, a covardia, a insensatez. E ao fazê-lo, estabelecem uma nova pedagogia (paidós = criança, agogé =condução).   
            Não sei o que vai ser. Se a greve acaba ou se continua. Na verdade, não importa. O que vale é que esses professores já ensinaram um linda lição. Que um valente não se achica, não se entrega, não se acovarda. Que quando a luta é justa, vale ser travada. Que se paga o preço pelo que é direito.
            Tenho certeza que, aconteça o que acontecer, quando esses professores voltarem à sala de aula, chegarão de cabeça erguida e alma em paz. Porque fizeram o que precisava ser feito. Terão cada um deles essa firmeza, tal qual a minha primeira professora, a Maria Helena, que mesmo nos mais duros anos da ditadura militar, seguiu fazendo o que acreditava, contra todos os riscos. Oferecendo, na possibilidade do saber, um mundo grandioso para o futuro dos seus pequenos. Não é coisa fácil, mas esses, de hoje, encontrarão o caminho.

            Parabéns, professores catarinenses. Vocês são gigantes!

Existe vida no Jornalismo
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