sábado, 8 de janeiro de 2011

A Ponte

Josué de Souza
Aquela era a última vez que viria aquele lugar. Estava muito diferente e como freqüentava todos os dias nem percebeu a mudança. Mas naquele dia era especial. Tomou um bom banho, colocou a roupa que comprará para ir aos cultos de domingo à noite e veio despedir-se da obra que acabara de ajudar a fazer.  Queria bater uma foto com a ponte, naquele lugar que nos últimos cinco anos, trabalhou duro, de sol a sol e às vezes até a noite que deixou inúmeras gotas de suor que transformaram-se em concreto e asfalto. Queria uma foto de lembrança para levar para casa, mostrar para os familiares e amigos.
            Naquele momento percebeu como o tempo passou, e que não foi só a paisagem que mudou, ele também havia mudado, também não era mais o mesmo homem que chegou naquele lugar, em busca de trabalho e com o sonho de fazer fortuna.
Aquela ponte que ajudara a construir não ligava somente uma margem do rio à outra, facilitando a vida das pessoas. Foi através dela que ele reencontrou Deus.
Lembrou daquele dia que se tornou o mais importante da sua vida. Depois de um dia cansativo de trabalho, com o coração apertado de saudades, decidiu ceder o insistente convite de um amigo para visitar a igreja. Queria aliviar a saudade da mãe, crente fervorosa, que sempre quando ligava para casa, despedia a ligação com um “a paz do Senhor” mesmo sabendo que ele fazia tempo que havia se afastado de Cristo. O pastor pregou sobre a cruz de Cristo, a ponte que permite o homem pecador sobrepor o abismo do pecado e chegar até Deus.
Nestes cinco anos, não fez fortuna, mas estava levando para casa uma riqueza incomparável e incorruptível, a salvação.

Um comentário:

  1. Acho que este texto foi um dos mais marcantes que vc já escreveu sobre o amor de Deus às pessoas. Parabéns pela sensibilidade em escrever o plano da salvação.

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