domingo, 14 de agosto de 2011

Desculpas que não colam

Diante de declarações e entendimentos que parecem querer preparar um clima de conformismo ou de aceitação de uma solução que não atende ao Projeto FURB FEDERAL, precisamos enxergar com clareza por que se trata de desculpas que não colam.


Desculpa 1:
"Conseguir uma federal em Blumenau é muito bom, mesmo que não inclua a FURB"

Não cola porque criar um campus da UFSC ou uma universidade que não inclua a FURB não é bom.
Algumas das razões:

1.       É um dispêndio a toa de recursos públicos (a FURB pode oferecer já 20.000 vagas sem investimento, e com um orçamento anual de 150 milhões, enquanto que, por exemplo, a nova Universidade Federal de Fronteira Sul precisa um orçamento de 200 milhões e tem apenas 3500 alunos). Isto é tão evidente que até o Reitor da UFSC se nega a aceitar criar um campus da UFSC em Blumenau.
2.       Uma vez que outro Campus da UFSC afetará fortemente a FURB, acabará diminuindo as atividades de Ensino Superior, Pesquisa e Extensão. Isto porque a FURB terá imensas dificuldades em manter seu status de Universidade (com pesquisa, extensão, mestrados e doutorados), enquanto que o campus da UFSC irá com muita parcimônia buscando um terreno, construindo uma sala, abrindo um curso, contratando um professor. Nesse processo, teremos uma universidade pronta minguando, uma universidade nova sendo edificada e a população apenas esperando.

Desculpa 2:
"Federalizar a FURB pode criar um precedente perigoso"

Não cola porque não cria precedente, e se criasse não seria um precedente ruim.
Algumas das razões:

1.       Uma das razões mais fortes para federalizar a FURB é o fato de que ela já é uma universidade pública. Ela funciona como instituição pública não apenas nos objetivos que atende, mas na sua forma jurídica e processos internos. A FURB faz concursos públicos, compra por licitação, tem colegiados de universidade pública, etc. Só não tem financiamento público. O caso da FURB é único, portanto não é o boi que abre o buraco pelo qual passa uma boiada.
2.       Caso alguém insista em dizer que a FURB abre um precedente, este seria um precedente fantástico para o Brasil. É um precedente de uma comunidade regional que sem financiamento governamental criou uma instituição pública e a entregou ao Estado uma vez pronta, madura, prestando serviços e administrando com eficiência recursos que vem do privado e se tornam públicos sem que o Estado tenha que cobrar impostos para isso. Esse é sim um precedente que o Estado gostaria de ver pipocar.
3.       Há outro precedente, é verdade. O povo na rua lutando por educação pública e de qualidade com pesquisa e extensão, ou seja, por uma instituição dedicada a servir às pessoas da Região, do Estado e do Brasil. Realmente, esse é um precedente que para alguns é perigoso.

Luciano Félix Florit
Doutor em Sociologia
Professor Departamento de Ciências Sociais e Filosofia da FURB
Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Nota do Sinsepes sobre últimas notícias do FURB Federal




Marcia Lucy .


Tendo em vista os últimos acontecimentos a respeito da possibilidade de federalização da Furb, o Sinsepes, como entidade representativa dos trabalhadores (professores e técnico-administrativos), esclarece:

1-     Na próxima terça-feira (16/08) ocorrerá o anúncio da expansão do sistema federal de educação superior, incluindo a instalação de Universidades Federais, tendo Blumenau possibilidades concretas de ser uma das cidades contempladas;

2-     O Sinsepes, membro ativo do Comitê Pró Federalização da Furb, saúda a expansão do sistema federal como imperativo para o desenvolvimento do país e da cidadania. Ademais, defende a necessidade regional de implantação de uma universidade federal no Vale do Itajaí;


3-     O reconhecimento da legitimidade desta reivindicação do Vale pelo Governo Federal, representa importante conquista do movimento Furb Federal e é fruto do acúmulo do trabalho, realizado pelo Comitê Pró Federalização e seus membros, há quase uma década.

4-     Considerando o caráter público e a trajetória histórica de consolidação deste caráter pela Furb; os estudos técnicos (em fase de conclusão) que amparam a eficiência administrativa e financeira, além da legalidade de transferência e cedência de estudantes, patrimônio e corpo funcional; e a viabilidade de disponibilização imediata de milhares de vagas, entendemos que implantar uma Universidade Federal em Blumenau, incluindo a federalização da Furb, é o melhor para a região e para o Brasil;


5-     Reafirmamos nosso compromisso com os trabalhadores da Furb, defendendo sempre sua inclusão e respeito de seus direitos, em qualquer proposta apresentada ou processo corrente;

6-     Estamos atentos aos acontecimentos, lembrando que até o momento não há confirmação oficial quanto ao caráter da inclusão de Blumenau no anúncio do dia 16. Portanto, permanecemos vigilantes e qualquer ato tomado pelo Sindicato é objeto de análise e cautela, sendo baseado em acontecimentos concretos, jamais nas especulações. Quaisquer novidades confirmadas serão objeto de comunicação aos trabalhadores;


7-     Independente do caráter do anúncio, ressaltamos que nossa luta se intensifica. A possível criação de uma Universidade Federal no Vale é uma imensa conquista, porém implica em demonstração ainda mais forte da importância e relevância da inclusão da Furb, neste caso, já considerando a implantação do Campus. Portanto, reafirmemos nossa disposição e continuemos na luta;

 8- Por fim, convocamos os servidores para ato em defesa da federalização da Furb, cuja concentração será defronte à Biblioteca Central, no Campus I, sexta-feira 12/08, às 18h30.

 Diretoria do Sinsepes

Informe Comitê Pró-Federalização da FURB


 
O Comitê Pró-Federalização da FURB saúda a notícia sobre a continuidade do plano de expansão da rede federal de Ensino Superior, através da inclusão do Vale do Itajaí. Esta decisão significa o reconhecimento, tanto da necessidade da criação de uma Universidade Federal na região, quanto do mérito da nossa luta. Trata-se de um grande passo para a consolidação do projeto FURB FEDERAL.
No plebiscito realizado em maio de 2008, a comunidade regional reconheceu, de forma inequívoca, a importância da proposta e conferiu seu apoio à instalação de uma Universidade Federal, a partir da histórica construção do ensino público na região – a FURB –, agora com a transferência de seus estudantes, do seu patrimônio e a cessão temporária dos seus servidores à União.
Para dar conta deste desafio foram realizados três estudos técnicos:

1) Diretrizes institucionais - este estudo foi realizado com a participação de uma equipe do Comitê, da FURB e do INPEAU/UFSC, propondo o modelo de incorporação da FURB à nova Universidade Federal;

2) Levantamento dos custos orçamentário-financeiros - este estudo foi realizado pelo Prof. Dr. Nelson Amaral, ex-reitor da Universidade Federal de Goiás, apontando ao governo federal as vantagens do nosso projeto;

3) Parecer jurídico - este estudo contempla a viabilidade constitucional da proposta FURB Federal.

Ademais, por iniciativa do Comitê Pró-Federalização, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei (PL 7.287/2010) que autoriza a criação de uma universidade federal com base na incorporação da FURB.
Considerando a importância da participação da sociedade regional na definição do modelo institucional da nova Universidade, o Comitê Pró-Federalização da FURB reitera o compromisso da cidadania do Vale do Itajaí com o projeto FURB FEDERAL, firmado no plebiscito que preside o mandato do Comitê.
 
Neste sentido, convidamos todos os cidadãos à manifestação que se realizará nesta sexta-feira, dia 12 de agosto, a partir das 18h30min, com concentração no largo da Biblioteca Universitária, no Campus I.

Cordialmente,
Comitê Pró-Federalização da FURB
Fundação Universidade Regional de Blumenau
Rua Antônio da Veiga, 140. Campus I, Sala C-200.
89012-900 Blumenau SC
Fone: (47) 3321-0940
Correio-e: furbfederal@furb.br

Veja quem são os jovens que protestam na Inglaterra com o sociólogo Silv...


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Contribuição da América Latina para uma geosociedade

Leonardo Boff
Teólogo/Filósofo

 


Por todas as partes no mundo cresce a resistência ao sistema de dominação do capital globalizado pelas grandes corporações multilaterais  sobre as nações, as pessoas concretas e sobre a natureza. Está surgindo, bem ou mal,  um design ecologicamente orientado por práticas e projetos que já ensaiam o novo. A base é sempre a economia solidária, o respeito aos ciclos da natureza, a sinergia com a Mãe Terra, a economia a serviço da vida e não do lucro e uma política sustentada pela hospitalidade, pela tolerância, pela colaboração e pela solidariedade entre os mais diferentes povos, demovendo destarte as bases para o fundamentalismo religioso e político e do terrorismo que assistimos nos EUA e agora na Noruega.
Entre muitos projetos existentes na América Latina como a economia solidária, a agricultura orgânica familiar, as energias  alternativas limpas, a Via Campesina, o Movimento Zapatista e outros queremos destacar dois pela relevância universal que representam: o primeiro é o “Bem Viver” e o segundo a “Democracia Comunitária e da Terra”, como expressão de um novo tipo de socialismo.
O “Bem Viver” está presente ao longo de todo o continente Abya Yala (nome indígena para o Continente sulamericano), do extremo norte até o extremo sul, sob muitos nomes dos quais dois são as mais conhecidos: suma qamaña (da cultura aymara) e suma kawsay(da cultura quéchua). Ambas significam: “o processo de vida em plenitude”. Esta resulta da vida pessoal e social em harmonia e equilibrio material e espiritual. Primeiramente é um saber viver e em seguida um saber conviver: com os outros, com a comunidade, com a Divindade, com a Mãe Terra, com suas energias presentes nas montanhas, nas águas, nas florestas, no sol, na lua, no  fogo e em cada ser. Procura-se uma economia não da acumulação de riqueza mas da produção do suficiente e do decente para todos, respeitando os ciclos da Pacha Mama e as necessidades das gerações futuras.     
Esse “Bem Viver” não tem nada a ver com o nosso “Viver Melhor” ou “Qualidade de Vida”. O nosso Viver Melhor supõe acumular meios materiais, para poder consumir mais dentro da dinâmica de um progresso ilimitado cujo motor é a competição e a relação meramente de uso da natureza, sem respeitar seu valor intrínseco e sem se reconhecer parte dela.  Para que alguns possam viver melhor, milhões têm que viver mal.
O “Bem Viver” não se identifica simplesmente com o nosso “Bem Comum”, pensado  somente em função dos seres humanos em sociedade, num antropo-e-sociocentrismo inconsciente. O “Bem Viver” abarca tudo o que existe, a natureza com seus diferentes seres, todos os humanos, a busca do equilíbrio entre todos também com os espíritos, com os sábios (avôs e avós falecidos), com Deus, para que todos possam conviver harmonicamente. Não se pode pensar o “Bem Viver” sem a comunidade, a mais ampliada possível, humana, natural, terrenal e cósmica. A “minga” que é o trabalho comunitário, expressa bem este espírito de cooperação.
Essa categoria do “Bem Viver” e do “Viver Bem” entrou nas constituições do Equador e da Bolívia. A grande tarefa do Estado é poder criar as condições deste “Bem Viver” para todos os seres e não só para os humanos.Esta perspectiva, nascida na periferia do mundo, com toda sua carga utópica, se dirige a todos, pois  é uma tentativa de resposta à crise atual. Ela poderá garantir o futuro da vida, da humanidade e da Terra.
A outra contribuição latinoamericana para um outro mundo possível é a “Democracia Comunitária e da Terra”. Trata-se de um tipo de vida social, existente nas culturas da Abya Yala, reprimida pela colonização mas que agora, com o movimento indígena resgatando sua identidade, está atraindo o olhar dos analistas. É uma forma de participação que vai além da democracia clássica representativa e participativa, de cunho europeu. Ela as inclui, mas aporta um elemento novo: a comunidade como um todo; esta participa na elaboração dos projetos, de sua discussão, da construção do consenso e de sua implementação. Ela pressupõe já uma vida comunitária estabelecida na população.
Ela se distingue do outro tipo de democracia por incluir toda a comunidade, a natureza e a Mãe Terra. Reconhecem-se os direitos da natureza, dos animais, das florestas, das águas, como aparece nas constitições novas do Equador e da Bolívia. Faz-se uma ampliação da personalidade jurídica aos demais seres, especialmente à Mãe Terra. Pelo fato de serem  vivos, possuem um valor intrínseco e são portadores de dignidade e direitos e por isso são merecedores de respeito.
A democracia será então sócio-terrenal-planetária, a democracia da Terra. Há os que dizem: tudo isso é utopia. E de fato é. Mas uma utopia necessária. Quando tivermos superado a crise da Terra (se a superarmos) o caminho da Humanidade seria este: globalmente nos organizarmos ao redor do “Bem Viver” e de uma “Democracia da Terra”, da “Biocivilização”(Sachs). Já existem sinais antecipadores deste futuro.

O presente texto  foi repassado pela Escritora e amiga