domingo, 9 de outubro de 2011

A ELITE MISERÁVEL DO BRASIL

 Urariano Mota


No dia em que Lula recebeu o título de doutor honoris causa na França, o diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, Ruchard Descoings, chamou a imprensa para uma coletiva. É claro que jornalistas do Brasil não poderiam faltar, porque se tratava de um ilustre brasileiro a receber a honra, pois não? Pois sim, dê uma olhada no que escreveu Martín Granovsky, um argentino que honra a profissão, no jornal Página 12. Para dizer o mínimo, a participação de “nossos” patrícios foi de encher de vergonha. Seleciono alguns momentos do brilhante artigo de Martín, Escravistas contra Lula:
            "Para escutar Descoings foram chamados vários colegas brasileiros... Um deles perguntou se era o caso de premiar quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado. Talvez Descoings soubesse que essa declaração de Lula não consta em atas, embora seja certo que Lula não tenha um título universitário. Também é certo que quando assumiu a presidência, em primeiro de janeiro de 2003, levantou o diploma que é dado aos presidentes do Brasil e disse: ‘Uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria de presidente da República’. E chorou.
          ‘Por que premiam um presidente que tolerou a corrupção? ’, foi à pergunta seguinte. Outro colega brasileiro perguntou se era bom premiar alguém que uma vez chamou de ‘irmão’ a Muamar Khadafi. Outro, ainda, perguntou com ironia se o Honoris Causa de Lula era parte da política de ação afirmativa do Sciences Po. Descoings o observou com atenção antes de responder. ‘As elites não são apenas escolares ou sociais’, disse. ‘Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas’”.
            Houve todas essas intervenções estúpidas e deprimentes. Agora, penso que cabem duas ou três coisas para reflexão. A primeira delas é a educação de Lula. Esse homem, chamado mais de uma vez pela imprensa brasileira de apedeuta, quando o queriam chamar, de modo mais simples, de analfabeto, burro, jumento nordestino, possui uma educação que raros ou nenhum doutor possui. Se os nossos chefes de redação lessem alguma coisa além das orelhas dos livros da moda, saberiam de um pedagogo de nome Paulo Freire, que iluminou o mundo ao observar que o homem do povo é culto, até mesmo quando não sabe ler. Um escândalo, já vêem. Mas esse ainda não é o ponto. Nem vem ao caso citar Máximo Górki em Minhas Universidades, quando narrou o conhecimento que recebeu da vida mais rude.
            Fiquemos na educação de Lula, este é o ponto. Será que a miserável elite do Brasil não percebe que o ex-presidente se formou nas lutas e relações sindicais? Será que não notam a fecundação que ele recebeu de intelectuais de esquerda em seu espírito de homem combativo? Não, não sabem e nem vêem que a presidência de imenso sindicato de metalúrgicos é uma universidade política, digna dos mais estudiosos doutores. Preferem insistir que a maior liderança da democracia das Américas nunca passou num vestibular, nem, o que é pior, defendeu tese recheada de citações dos teóricos em vigor. Preferem testar essa criação brasileira como se falassem a um estudante em provas. Como nesta passagem, lembrada por Lula em discurso:  “Me lembro, como se fosse hoje, quando eu estava almoçando na Folha de São Paulo”. O diretor da Folha de São Paulo perguntou pra mim: ‘O senhor fala inglês? Como é que o senhor vai governar o Brasil se o senhor não fala inglês? ’... E eu falei pra ele: alguém já perguntou se Bill Clinton fala português? Eles achavam que o Bill Clinton não tinha obrigação de falar português!... Era eu, o subalterno, o colonizado, que tinha que falar inglês, e não Bill Clinton o português!’
            O jornalista argentino Martín Granovsky observa ao fim que um trabalhador não poderia ser presidente. Que no Brasil a Casa Grande sempre esteve reservada para os proprietários de terra e de escravos. Que dirá a ocupação do Palácio do Planalto. Lembro que diziam, na primeira campanha de Lula para a presidência, que dona Marisa estava apreensiva, porque não sabia como varrer um palácio tão grande....Imaginem agora o ex-servo, depois de sentar a bunda por duas vezes no Planalto, virar Doutor na França. O mundo vai acabar.
O povo espera que não demore vir abaixo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Abaixo os ambientalistas!


LAURO BACCA


          Esses ambientalistas, que ninguém sabe ao certo quem são, representam um atraso de vida, um atraso para Blumenau e isso não vem de hoje. Começou com a ONG pioneira Acaprena, em 1973, que propôs o órgão oficial municipal também pioneiro, a Aema (hoje Faema). Criada em fevereiro de 1977, esta já nasceu errada, pois, onde já se viu, um órgão enxuto, ágil e eficiente (à época), coisa que não combina de jeito nenhum com a administração pública no Brasil?
       Desde o início, a Aema sabia da fragilidade geológica da área Sul de Blumenau, o que desaconselhava o desmatamento e sua ocupação, coincidindo com a maioria das áreas de risco dos dias atuais. Em vista disso, por proposição do então titular do órgão, professor Alceu Longo, a região foi declarada como de preservação permanente pelo Decreto 1567, de 5/6/1980, abrangendo 1/3 do território municipal. Congelar o desenvolvimento numa área de tão expressivo tamanho? Um absurdo! Para onde Blumenau iria crescer a não ser para as encostas, se nas baixadas pega enchente? Como ficaria o mercado imobiliário, a construção civil, o comércio de materiais de construção, enfim, o “desenvolvimento”?
        Para o bem do “progresso” e alegria dos candidatos populistas, os ambientalistas tiveram mais derrotas que vitórias, surgindo daí ocupações como nas ruas Cristina, Otto Metzner e Frederico Corte e várias outras transversais da Rua José Reuter, na Velha Central, nos morros Dona Edith e Emil Wehmuth, na Velha Grande. Os ambientalistas foram acusados de tentar impedir o crescimento do Grande Garcia, pois foram contra construções e loteamentos (clandestinos) na Vila Iná, altos do Zendron, transversais da Rui Barbosa, Jordão, morro do Artur e Jerônimo Correia, entre tantas outras áreas previstas no Decreto 1567/80, assíduas frequentadoras dos noticiários de tragédias, principalmente de 2008 para cá.
Fora da abrangência do decreto existiam outras áreas de risco, entre elas o agora tristemente famoso Morro Coripós, mas até ali os ambientalistas meteram o bico ecológico já em 1983. Com laudos geotécnicos, comprovaram tratar-se de área de grande risco e imprópria para a ocupação, desde as partes mais altas até embaixo, como na Matheus Bragagnolo, rua com presença de destaque nos últimos capítulos da dramática novela das áreas de risco de Blumenau.
        Mas os ambientalistas não aprendem, não sossegam. Lutaram pela criação do Parque Nacional da Serra do Itajaí, ignorando alertas de vereadores de que o parque “forçaria milhares de pessoas a morar debaixo das pontes”. Fizeram de Blumenau um município pioneiro no controle da poluição, na Educação Ambiental e na proteção de suas florestas e mananciais de água. Agora propõem que a proteção da margem esquerda do Rio Itajaí-Açu contemple a recuperação da vegetação em forma de mata ciliar nativa. Mais atraso para Blumenau. Esses ambientalistas são incompetentes até para impedir as chuvas!

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,186,3509274,18058