sábado, 24 de março de 2012

Um mundo em crise - Uma teologia em crise





Josué de Souza


Nos últimos anos o mundo assiste estupefato resposta a crise econômica-finaceira americana, que atingiu a Europa, implodindo estruturas e crenças econômicas que até então pareciam sólidas e inquestionáveis. Crise talvez comparada apenas à crise de vinte e nove. Reduzindo aos analistas econômicos o papel de noticiar qual será o próximo país a entrar em crise.

O que por si só já seria perturbador é acompanhado por uma crise ambiental e pelas conseqüências do efeito, nos aconselham botar o pé no freio no crescimento econômico e consumo indiscriminado.

O cenário acima denuncia a qualquer observador social atento que estamos em uma encruzilhada histórica. Encruzilhada talvez análoga ao iluminismo e das grandes revoluções do século XIX. E que sem dúvida desembocará em transformações em todas as áreas do conhecimento e da vida social.

Não seria inovador afirmar aqui que ao longo da história humana, o discurso religioso acompanhou as transformações sociais. Dito de outra forma, nossa forma de organização e produção material e econômica é influenciada e influencia nossa forma de nos relacionarmos com o sagrado. No cristianismo brasileiro isto transparece quando uma parte dos fieis utilizam a fé como força mobilizadora na obtenção de bens materiais. Acreditando que Deus está para servi-lo e que é possível um paraíso terrestre.

O grande problema (ou oportunidade) é que permanecendo o atual cenário de crise econômico-ambiental, o discurso teológico de bênçãos financeiras intermináveis e consumo inconseqüente é obsoleto. Não se sustenta. Impondo-se a necessidade de se produzir um novo discurso teológico.

No meu entendimento esta mensagem deve considerar que cada ação prejudicial ao meio ambiente é teologicamente duvidosa.  Que não considere virtuosos a tentativa utilitarista de relação com o próximo e com o sagrado. Que radicalize a democracia em todas as esferas da vida, incluindo a familiar e religiosa. Que valorize os prazeres oriundos da relação com Deus, das relações humanas e da relação com a natureza. E que retire da centralidade da vida humana as relações econômicas. Mensagem esta que parece estar mais próximo a mensagem de certo Nazareno.

Um comentário:

  1. Muito interessante esta reflexão. Me lembrou da frase "somos filhos de nossa cultura", que não sei onde li.

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