quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A situação da indústria e o mercado interno no Brasil


                                                                                                                                    


                         *Mairon Edegar Brandes
                                *José Álvaro de Lima Cardoso


Os indicadores de produção e emprego industriais fecharam 2012 com resultados muito ruins. Conforme mostram os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial regional manteve um comportamento oscilante ao longo de todo o ano, crescendo em um determinado mês e recuando no mês seguinte. Ao longo do ano, a produção industrial não conseguiu “engatar” um ritmo de crescimento, seja em termos setoriais, seja em termos regionais (ver Carta IEDI nº 554: Indústria de novembro de 2012: Produção Sem Ritmo e Emprego em Queda). Esse comportamento oscilante decorre do fato de que, ao mesmo tempo em que a indústria já recebe os efeitos dos fatores de estímulo à recuperação (redução dos juros, desvalorização cambial, etc.), ela sofre determinações mais profundas, de caráter estrutural, que levou ao segundo ano seguido de declínio da produção industrial.
Conforme diagnosticou o IEDI, no documento supra citado, os principais fatores contrários a um desempenho favorável da indústria nos últimos anos seriam: “(i) término do ciclo de duráveis; (ii) colapso dos investimentos da economia brasileira; (iii) falta de competitividade da indústria nacional, com reflexos internos (maior concorrência do produto importado no mercado interno consumidor) e externos (queda das exportações de produtos industrializados); e (iv) aumento dos custos sistêmicos e do custo do trabalho, dado um pequeno avanço da produtividade” (p.2). Em 2012, até novembro, a produção industrial recuou 2,6%, resultado da queda do nível de produção em nove das catorze localidades pesquisadas pelo IBGE. Cinco locais recuaram acima da média nacional (–2,6%): Amazonas (–7,1%), Espírito Santo (–6,0%), Rio de Janeiro (–5,6%), São Paulo (–4,1%) e Rio Grande do Sul (–3,9%). Dado o peso que esses estados têm na produção nacional fica claro que o problema da indústria é muito sério.
Em Santa Catarina, apesar da indústria em geral também atravessar dificuldades, o comportamento em setores estratégicos da indústria de transformação (Têxtil; Borracha e plásticos; Artigos do Vestuário; Papel, celulose e produtos de papel; Produtos químicos.) apresentam comportamento diferente no período janeiro/novembro: 
 1) houve expansão da produção e da produtividade da indústria catarinense no decorrer do ano de 2012, já que as taxas de crescimento do número de pessoal ocupado não acompanham as taxas de expansão da produção;
2) ocorreu crescimento também do faturamento real (resultado de vendas) das empresas no ano. Apesar de haver crescimento, com exceção da indústria de vestuário e têxtil, na massa salarial real, a expansão desse indicador ficou aquém ao observado no faturamento. Ou seja, o trabalhador produziu mais e recebeu menos em Santa Catarina. Todas as indústrias analisadas neste breve artigo registraram aumento na produção e no faturamento (vendas) com crescimento em menor proporção no número de pessoal ocupado e na massa salarial real.
Como não existe nação desenvolvida sem indústria, as dificuldades mencionadas têm que ser enfrentadas com vigor e inteligência. É fundamental evitar fortes movimentos do câmbio, especialmente na direção da valorização do real. As taxas de juros têm que continuar baixando (sem descuidar da inflação) e confluir definitivamente para parâmetros internacionais. O Brasil também tem que estabelecer barreiras aos capitais não desejados. Além disso, o país tem que desenvolver um conjunto de políticas voltadas para o objetivo de expansão do mercado interno, que é o maior ativo que a economia de um país pode possuir. Por isso é fundamental acelerar o processo de inclusão e de distribuição de renda.

*Economistas e técnicos do DIEESE da equipe de Santa Catarina

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